quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Omí o Iemanja! Orixas do Candomblé numa borra de café.

A natureza nos fala e muitas vezes ela se manifesta por meio dos seres mitológicos. Todos nós, seres humanos, vibramos os quatro elementos e em diferentes situações um deles ou todos falam mais alto.
Iemanjá Ogunté! Omí o Iemanja, Omí Lateo, Omí Yalodde. Assim no candomblé se saúda a esta guerreira das aguas, a única Iemanjá que usa espada.
Ela carrega consigo todas as ferramentas de Ogum na cintura e também tem nas suas mãos um abebê, que é um leque em forma circular com desenhos de peixes. Um abebê também é usado por Oxum, mas com figuras simbólicas diferentes, como corações.
Ogunté quer dizer “aquela que contém Ogum, aquela que luta do lado dele”
Numa borra de café muitas são as figuras que podemos ver, muitos os cafeogramas que podemos decifrar.





Nas formas que podem ser vistas neste pires, quanto movimento pode ser percebido! E bem no centro uma figura parecida com uma sereia, carregando uma espada em alto, um abebê da mão esquerda e cruzada no corpo uma espécie de lenço ou de serpente. Omí o Yemonja! Vem ceifando e trazendo justiça. Ela é severa, rígida, não perdoa, guerreira e destemida como Iansã, dona do canto mais alto e profundo chama desde as profundezas do mar e espalhando com firmeza, segurança e poder as aguas sobre as pedras, o seu grito por Ogum, seu grito por justiça, seu grito na batalha por aquilo que é justo e verdadeiro. Ela dança num movimento rápido, indomável, incontrolável enquanto as rochas ficam imutáveis.
Todo este processo se conhece na geografia como erosão marinha, ação das aguas ao longo do tempo que pode mudar uma paisagem, arrastar rochedos e formar imagens incríveis. A erosão marinha está presente em todo o litoral do Planeta, resultando em um longo processo de atrito da água do mar com as rochas que transformam os relevos em planícies. Essas rochas acabam se desgastando em grãos que são levados pelas ondas. Esse tipo de erosão é consequente da ação de um fator presente na termodinâmica, em que há a convecção (movimento de moléculas em fluidos) dos ventos, responsáveis pelo surgimento das ondas, correntes e marés. No primeiro momento, a ação erosiva do mar forma grandes paredões íngremes, chamados de falésias. Após isso, ocorre o recuo da praia, onde o sedimento pelas ondas é transportado lateralmente pelas correntes de deriva litoral.
Ogunté dança com a sua jiboia também na nossa borra de café, vem arrasando com muitos animais ao seu redor. Ela não está sozinha. Ela se apresenta para quem bebeu o café anunciando mudanças vindas por diante (lembram da erosão?) E também pedindo: “não fique brava/o, a justiça está sendo feita e nada nem ninguém ficará impune. Confie na capacidade da Grande Mãe guerreira que há dentro de você e que está sendo revelada neste momento por médio dos cafeogramas da bora de café. Não se permita perder nessa luta seus atributos femininos, independente do seu género, conserve a sua vaidade, sedução; que não faltem suas pulseiras, seu espelho, mas guarde seu facão, o que é seu de direito ninguém tira. Ogum te deu suas ferramentas, saiba usa-las com inteligência, sem violência. Deixe que o mar se encarrega disso tendo sua ação sobre os rochedos, mentalize essas ondas quebrando a vibração das tristezas, quebrando a vibração da cobardia, do infortúnio, da ingratidão, da traição ou da indiferença. O que quiser quebrar está a sua disposição.
Quem tem uma mãe guerreira grita bem alto! Use sua voz então para cantar, clamando também a sua verdade. Que seu som seja o mais harmónico!
Chame Ogum para lhe acompanhar e a Oxóssi para andar pela mata durante a noite. Não esqueça que Ogunté passeia pelas matas sem que ninguém a veja no meio da escuridão para depois entrar novamente no mar e fazer a sua dança.
Alimente seu espírito cm esta força quando lhe faça falta. As demandas, foram todas quebradas e levadas bem ao fundo do mar.










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